2.2.06

Sirenes

Hoje de manhã, em plena reunião, na calmia organizadora do dia-a-dia de trabalho, ouço um som profundo e tenso, como se viesse do fundo de uma caverna bem subterrânea, a alertar para um perigo vindo de cima, sem verdadeira imagem, sem grande tempo.
"Você sabe o que isto é?"
O meu ar era sem dúvida esclarecedor.
"Todas as primeiras quartas-feiras do mês..."
Todas as primeiras quartas-feiras do mês, soam as sirenes-alerta dos raides aéreos da Segunda Guerra Mundial. Hoje em dia, funcionam como um teste para os bombeiros de Paris, mas a carga que essas sirenes comportam é bem mais pesada do que esse simples acto. Na verdade, basta andar um pouco pelas ruas da cidade para nos apercebermos como a memória ainda existe, e como ainda pesa. As varias placas das suas esquinas relembram-nos momentos-chave da História recente da Europa e do Mundo - o Plano Marshall, as ruas com nomes de batalhas e generais, as estátuas da República e defensoras da liberdade, as pequenas homenagens escritas em pedra a conjuntos de soldados, resumidos a mortes.
E nada disso morre. A morte mata, e devemos continuar a viver, tal como a cidade e os seus habitantes. O mesmo para a memória, que pesa, mas nunca será abandonada. Talvez seja melhor dizer que esta nunca nos abandonará.

2 commentaires:

Miguel Rolo a dit…

Enganas-te, a memória colectiva é por vezes curta. Sobretudo em tempos como os de hoje, onde poucos, por vezes, querem que muitos esqueçam.

Das "placas" de Paris as q mais me impressionam são as pequeninas q referem um qq GRANDE homem, absolutamente desconhecido.
Sabes q há q placas dessas em Lisboa ?

l.costa a dit…

na realidade, não é a morte que mata. é o esquecimento. por isso é tão importante a memória. abençoadas sirenes!