21.2.06

Ultimatum Futurista às geraçoes portuguesas do século XX

Peço desculpa mas depois de ter voltado a ler isto nao me consegui impedir de pô-lo no blog...Almada continua actual de maneira preocupante depois de tanto tempo, um verdadeiro precursor. Se puderem nao deixem de ler este ultimato.


"(...) Eu nao pertenço a nenhuma das geraçoes revolucionarias. Eu pertenço a uma geraçao construtiva.
(...) Eu sou aquele que se espanta da propria personalidade e creio-me portanto, como português, com o direito de exigir uma patria que me mereça. Isto quer dizer: eu sou português e quero portanto que Portugal seja a minha patria.
Eu nao tenho culpa nenhuma de ser português, mas sinto a força para nao ter, como vos outros, a cobardia de deixar apodrecer a patria.
(...) Hoje é a geraçao portuguesa do século XX quem dispoe de toda a força criadora e construtiva para o nascimento de uma nova patria inteiramente portuguesa e inteiramente actual prescindindo em absoluto de todas as épocas precedentes.
(...)Portugal é um pais de fracos. Portugal é um pais decadente:
1 - Porque a indiferença absorveu o patriotismo.
2 - Porque aos nao indiferentes interessa mais a politica dos partidos do que a propria expressao da patria, e sucede sempre que a expressao da patria é explorada em favor da opiniao publica. Nao é o sentimentalismo desta exploraçao o que eu quero evidenciar. Eu quero muito simplesmente dizer que os interesses dos partidos prejudicam sempre o interesse comum da patria. Ainda por outras palavras: a condiçao menos necessaria a força de uma naçao é o ideal politico.
(...) 4 - Porque o sentimento-sintese do povo português é a saudade e a saudade é uma nostalgia morbida dos temperamentos esgotados e doentes. O fado, manifestaçao popular da arte nacional, traduz apenas esse sentimento-sintese. A saudade prejudica a raça tanto no seu sentido atavico porque é decadencia, como pelo seu sentido adquirido definha e estiola. (...)"

José de Almada-Negreiros

2 commentaires:

l.costa a dit…

identifico-me inteiramente com este ideário. apenas uma rectificação:o manifesto é para as gerações do sec.21.

p.canha a dit…

Que bom de volta!!! desde chez Lucca & Duarte tenho vindo aqui na esperança de um novo...
É um espanto este manifesto do almada tenho-o numa edição velhinha comprado num alfarrabista.
Podiamos de facto deitar fora a nossa História, não porque ela não valha a pena - temos momentos brilhantes - mas porque não soubemos/sabemos fazer nada dela. não sabemos/soubemos ler o passado. não nos soubemos inspirar nele. Essa força criadora... estou mais em crer deviamos falar em recriar - olhando, despertando os sentidos e a sensibilidade - na verdade pouco criamos dsede os gregos - a nossa grécia - recriamos! estou mais a pensar em pensamento - motor de tudo! - menos em formas artisticas puras. enfim ficava aqui a descorrer interminavelmente. mas acho que vou voltar. um abraço sauddaes