11.3.06

Fac en Grève II



O segundo dia de bloqueio (quarta-feira) gerou uma assembleia geral com assistência record, cerca de 600 pessoas. O voto foi desta vez feito com urnas, para evitar as criticas e ataques dos que nao consideravam o voto a mao levantada legitimo.
A maioria votou contra o bloqueio, que foi levantado no dia seguinte.
No entanto, a assembleia geral de quinta-feira - que visava encontrar outras soluçoes de mobilizaçao sem ser o bloqueio - revelou-se surpreendente. Em primeiro lugar os professores da faculdade, depois de reunidos em assembleia geral, votaram uma moçao de apoio aos estudantes grevistas, garantindo-lhes que nao vao ser marcados ausentes nem penalisados pelas aulas a que faltarem. Em seguida, o movimento provou ter-se organizado: expuseram-se as varias comissoes criadas na véspera e elegeram-se mandatarios para a comissao inter-faculdades que vai ter lugar este fim-de-semana. Surpreendentemente, os estudantes presentes começaram a prôpor o voto do bloqueio para a semana seguinte à tribuna, assunto que tinha sido deixado de fora da ordem do dia voluntariamente. Face a tanta contestaçao a tribuna decidiu proceder ao voto. A informaçao passou para o anfiteatro do lado, em aulas, que compareceu em peso para o voto. Depois da mudança de anfiteatro por falta de espaço, um numero record de mais de 700 pessoas votaram, com uma maioria a favor do bloqueio para toda a semana.
Tal reviravolta so podia deixar-me contente, pois prova que os esforços para mobilizar e consciencializar os estudantes de Paris 5 teve efeitos.
A mobilizaçao começa a atingir uma dimensao impressionante, historica. A Sorbonne foi ocupada por mais de 200 pessoas durante a noite de quinta para sexta, feito simbolico que nao acontecia desde Maio de 68.
Infelizmente, estes movimentos de massas também trazem desvarios. Sexta à noite passei numa suposta manifestaçao em frente à Sorbonne que nao era mais do que um ajuntamento de jovens bêbados, ganzados, gritando algumas palavras de ordem de vez em quando, bloqueando o boulevard Saint-Michel com barricadas e sobretudo causando disturbios...
A amalgama é grande, misturam-se insatisfeitos e agitadores, injustiçados e extremistas.
Nem tudo sao rosas e nem sempre é facil posicionarmo-nos. O medo é muito. Medo de errar, de ir longe de mais, de cair na alienaçao e na dinâmica das massas. Medo da violência também, medo de levar. Medo de ceder, de nao aguentar até ao fim.

A luta continua

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