10.7.06

Pedimos desculpa pela inactividade do blog nestes ultimos tempos, mas passo a explicar: Eu, o Francisco e o Duarte estamos os três em Portugal, logo não estamos em Paris e portanto, por impedimentos de natureza geografica não podemos continuar as cartas de Paris.

Até breve, Duarte

1.7.06

A Moveable Feast

Ontem à noite, eu e o Duarte Graça tivemos uma conversa interessante antes do nosso concerto dos Strokes na Vilette. O Duarte, que partiu hoje de manhã de Paris, para regressar definitivamente a Lisboa depois de um ano de Erasmus, confessou que não sentia que a sua passagem pela cidade tivesse acabado. Levou de certeza algo de Paris com ele, que mais tarde ou mais cedo vai fazê-lo voltar cá.
Hoje pensei muito nas suas palavras, e coloquei-me de certa maneira na sua situação - amanhã de manhã é a minha vez de ir embora, mas sei que em Setembro estarei cá outra vez para pelo menos mais 4 meses. Andei pelas ruas do meu novo bairro, para onde me mudei há relativamente pouco tempo, e vi que tudo nele me agradava, mesmo as coisas mais "feias" tinham a ver comigo. Nesta fronteira entre o 6ème e o 5ème está o bairro cinéfilo da cidade, onde estão os cinemas que passam os filmes antigos, está a Sorbonne, os Jardins do Luxemburgo, as galerias de arte, o Sena, muitos cafés, muitos bares, e muito charme. E hoje, ao saber que amanhã me levanto para sair da cidade, mesmo que por apenas 2 meses, sinto o que o Duarte me disse e o que li também em Hemingway - sou um daqueles jovens que se vai embora da cidade, mas que sabe que Paris marcou e vai marcar invariavelmente o meu destino, para onde quer que vá. Mais que um ponto de passagem, é um ponto de onde saimos e deixamos algo. Deixamos algo em Paris que nos faz sempre voltar.
Depois dos meus primeiros 6 meses na cidade (passados aos intervalos com Lisboa), sei que vou voltar para onde vim mas que vou estar sempre a pensar nesse meu bairro, nas pessoas, nos cafés, na minha casa, no que deixei, que é meu, e que vou reencontrar. Como dizia Gene Kelly no American in Paris de Vicente Minelli, Paris entra em nós e abre o nosso coração, para nos deixar eternamente assim.
Por outro lado, aprendo cada vez mais a gostar do "pior" da cidade. Sinto-me cada vez mais próximo do à vontade chateado dos parisienses, das bocas dos empregados de mesa, das remarques que se fazem ouvir de algumas pessoas na rua, das mil maneiras que os parisienses têm para mostrar que estão chateados - ras le bol, 'y en a marre, saloperie, pas possible, c'est pas fini, sacré bol, bordel, vraiment, alors là, c'est parti, etc, etc, etc... Mas tanto começam a falar assim como acabam com uma frase que parece expressão popular, mas que na verdade está reservada aos metros quadrados daquele café ou daquela loja. É uma maravilha.
Enfim, gostaria muito de estar cá muito mais tempo, mas sei que também gostaria de conhecer outras cidades. Mas já sei que no final deste ano, fique ou não fique, já deixarei um pouco de mim neste bairro e nesta cidade.