17.11.06

Ségo vs.Sarko

Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy serão mais que provavelmente adversarios directos nas proximas eleições presidenciais francesas. Embora não tenha estado a par da actualidade politica nos ultimos tempos, atrevo-me emitir algumas das minhas impressões:


Ségolène Royal acaba de ser eleita por uma enorme maioria dos militantes como candidata oficial do Partido Socialista. Com 60% dos votos em seu favor esmagou literalmente os seus adversarios, sem precisar sequer de uma segunda volta.Este resultado pode dar um novo folego ao partido, internamente muito dividido pelas diversas lutas entre os seus clãs. Ségolène parece mesmo reunir uma grande unanimidade e se conseguir unir as diversas facções socialistas pode mesmo vir a desafiar Sarkozy.

Assistimos à primeira vitoria do "fenomeno Royal". Ilustre desconhecida (nunca teve um cargo politico de relevo) Ségolène Royal tem-se revelado um fenomeno mediatico e popular do género, ouso dizê-lo, de uma Jeanne d'Arc. Parece-me que se criou um culto à volta de Ségolène, da ordem do fanatismo, sem explicação pois não são com certeza as suas ideias (se alguém as conhecer diga-me...) e propostas que mobilizam as massas.
No entanto, e como qualquer bom socialista em França, Ségolène esta eternamente presa ao seu eleitorado de esquerda e não deve fugir muito ao conformismo secular dos governos socialistas e à tendência imobilista.


Sarkozy esse sim pode ser um candidato de ruptura, como ele proprio afirma (reinvindicando-se mesmo assim gaullista, como não podia deixar de ser, não va ele perder uns fieis eleitores UMP...). Ja não ha duvidas sobre quem sera o candidato da direita UMP para as presidenciais: não ha campanha possivel , como houve no PS, pois os potenciais candidatos (Villepin, Michèle Alliot-Marie e Sarkozy) fazem parte do governo e além disso a logica gaullista do UMP de uma ligação directa candidato-povo impede primarias dentro do partido.

Sarkozy é então o candidato da ruptura: da ruptura para pior. Para uma França aberta ao mercado como muitos pedem, mas fechada à imigração, aberta aos ricos e fechada aos pobres.


A França parece condenada a continuar a sua luta visceral entre liberalização e protecção social, entre a defesa de um Estado providência e as investidas da globalização e não vão ser as proximas presidênciais a muda-lo...

Aucun commentaire: