9.7.07

encontros e desencontros

Haverá cidade de maior encontro e desencontro do que Paris?
Em primeiro lugar, encontros famosos: há quem se cruze regularmente com Emmanuelle Béard no Cinquième arrondissement (não é Vera...?), quem veja por segundos Charlotte Rampling, quem encontre numa festa Pete Doherty ou beba uma cerveja no Shebeen com Johnny Borrell.
Eu, muito modestamente, vi uma vez a cantora Pink e umas quantas groupies - cristas e furos por toda a parte, perfeita visão do cruzamento entre uma arara e um passador - sentadas num café na Île-Saint-Louis em dia de concerto no multi-usos de Bercy.
Também tive o prazer de cruzar o ex-Primeiro-Ministro Dominique Galouzeau de Villepin, que atléticamente fazia o seu jogging matinal à volta do hipódromo de Longchamp, com o télémovél colado à orelha e os guarda-costas colados ao cu.
Hoje passei na rua pelo Presidente de Região, Jean-Paul Huchon, recentemente envolvido em escândalos de corrupção (devemos deduzir que não foi desta que foi dentro...).
Para além de encontros famosos, encontros inesperados : o amigo que não vemos há anos e que encontramos numa noite na Rue de La Huchette :"Ah, vim cá passar umas fériazinhas...Ainda tás cá?", colegas de liceu que saem do RER ou alguém que nos telefona porque vem a Paris de fim de semana: "Vamos jantar a qualquer lado?".
Mas os melhores encontros e desencontros, são aqueles que duram um segundo, um piscar de olhos, com sorte umas palavras. É a mademoiselle que está sentada à nossa frente na carruagem de metro e quando damos por nós estamos a pensar :"Até onde é que será que ela vai? saio na mesma estação do que ela ou não?".
São estes momentos que fazem crescer a imaginação, pois essa curta troca de olhares nunca há de estar sujeita ao julgamento do real e deixa-nos assim acreditando na inocência de um sonho.

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