9.9.07

Depois da vitoria da aguerrida Argentina contra a humilhada selecção francesa de raguebi, parto do rond-point de l'Étoile em direcção a casa. Com alguns dos mais fiéis companheiros de viagem no bolso (The Strokes, Jeff Buckley, David Bowie, The Rakes...), desço os Champs-Élysées, invadidos por multidões, até atravessar o rio, ladeado pelos Petit e Grand Palais, e vigiado pelo gigante de Gaulle. Sigo ao longo do Sena, até ao Musée d'Orsay e, passando pela residência de Monsieur le Premier Ministre, chego finalmente a casa.
Paris foi feita para nos sentirmos pequenos. Só pode. Pelo menos esta parte de Paris. Isto só podia ter começado com as ideias de uns mégalómanos absolutistas. Tanta grandeza, tanta monumentalidade, tanta beleza que nos faz esquecer que tudo isto foi obra de mão humana e nos faz sentir pequenos, minusculos, insignificantes...Sem lugar para o improviso, para o acidente, para a imperfeição, perdemos em humanidade.
Mas ao mesmo tempo temos a sensação de tocar ao de leve o divino, de atingir por instantes a transcêndencia e fazer parte de algo muito muito maior do que nos.
Tudo isso leva-me ainda para outros caminhos: será que numa cidade como esta, alguém ainda conta? sera que alguém deixa marca, que alguém faz a diferença?
Ou somos "todos diferentes mas todos iguais"?

2 commentaires:

Anonyme a dit…

acho que agora percebeste aquilo que eu nao gosto de paris. a razão pela qual é uma cidade que me entristece...
joana r.

Laura a dit…

Sempre tive a impressão que Paris fosse imenso demais; embora existem outras bem maiores cidades... é como se todos se parecessem. Um sentimento inexplicável de solidão...
Por isso que nunca consegui perceber o charme desta cidade. Quem sabe, um dia...?