21.11.07

foucault

"les medias ne sont pas les simples spectateurs mais des acteurs des conflits sociaux" (in "Les médias, gardiens de l'ordre social", Le Monde Diplomatique)

20.11.07

A França volta a andar nas bocas do mundo por causa da sua agitação social. Hoje manifestaram em conjunto os estudantes do ensino superior e do secúndario, os trabalhadores dos caminhos de ferro e dos transportes e um grande número de funcionários (professores, correios, hospitais...). Os primeiros contestam a nova reforma de autonomia das faculdades, os segundos a reforma dos regimes especiais e os ultimos reinvindicam aumentos de salários e a defesa do seu estatuto. Diversas manifestações ocorreram hoje por todo o pais, reunindo varias dezenas de milhares de pessoas.
Mais uma vez, exclama o mundo, a França resiste às reformas e o seu povo retrógrado luta contra as mudanças necessárias para o desenvolvimento do pais. Mais uma vez, o país onde a rua governa se levanta contra o seu próprio governo, saído há pouco das urnas. Os vários médias internacionais continuam portanto a veícular esta imagem de uma país de grevistas e funcionários "privilegiados", incapazes de enfrentar a realidade do mundo moderno e as suas consequentes e necessárias mudanças.
Segundo um estudo publicado ha alguns dias pelo jornal Libération ("Le mythe d'un pays gréviste"), a França é apenas 11° primeiro em dias não trabalhados por ano por motivo de greve, numa classificação que reúne os 18 países mais industrializados. A França posiciona-se bem atrás da Italia (1°), dos diversos países escandinavos, do Reino-Unido (7°) e mesmo dos EUA (8°)! E no entanto, os principais meios de comunicação continuam a apelidar a França de país do "direito de paralisar" ou de nação da "guerra social".
Acusa-se também os sindicatos franceses, conservadores e imobilistas, de não saberem dialogar e de procurarem o confronto social. Mas, ao privar os sindicatos de qualquer possibilidade de negociação ou dialogo à priori (ou seja antes dos conteúdos das novas reformas serem decididos e votados), o próprio governo de François Fillon dá provas da sua intransigência e autoritarismo, provoca e procura o conflito. Desta forma, e aproveitando a influência dos médias globais, inicia um processo de descredibilisação dos sindicatos e dos seus membros e cria um conflito entre os ditos "privilegiados" da função pública e o resto dos trabalhadores.
Assim sendo, Monsieur Sarkozy consegue fazer esquecer que nesta França arruinada e endividade como bradam os jornais e televisões, o Presidente da Républica tem agora direito a um novo salário (aumento de 172%) e as empresas do CAC 40 ( grupo das 40 empresas melhor cotadas na bolsa) geraram mais uma vez lucros recorde no valor de 88 biliões de euros. Mas não são privilegiados...



bercy


tarde de sol, passeio por Bercy e pelo XIIème arrondissement. Ora ai esta uma zona que não aparece muito nos guias turisticos nem costuma ser um dos sitios mais frequentados. E no entanto vale a pena assistir à revolução urbanistica que representa bercy, levando-nos para um paris noutro espaço e tempo: as pequenas ruas apinhadas dão lugar a espaços vastos e vazios, os prédios haussmanianos a novas construções transparentes e futuristas, criando um jogo de espelhos e reflexões entre os dois elementos dominantes, o vidro dos prédios e a àgua do Sena.
Que bem que se podia viver aqui, respirando outro ar, com espaço, indo ao cinema ao Mk2 Bibliothèque e à Cinemathèque, estudando na fabulosa BNF (tão fabulosa que era capaz de ficar dias a fio sentado naquela plataforma de madeira a olhar para as quatro torres e o jardim interior sem me fartar), almoçar no Lina's, ir a exposições no Les Frigos, noites no Batofar...