20.11.07

A França volta a andar nas bocas do mundo por causa da sua agitação social. Hoje manifestaram em conjunto os estudantes do ensino superior e do secúndario, os trabalhadores dos caminhos de ferro e dos transportes e um grande número de funcionários (professores, correios, hospitais...). Os primeiros contestam a nova reforma de autonomia das faculdades, os segundos a reforma dos regimes especiais e os ultimos reinvindicam aumentos de salários e a defesa do seu estatuto. Diversas manifestações ocorreram hoje por todo o pais, reunindo varias dezenas de milhares de pessoas.
Mais uma vez, exclama o mundo, a França resiste às reformas e o seu povo retrógrado luta contra as mudanças necessárias para o desenvolvimento do pais. Mais uma vez, o país onde a rua governa se levanta contra o seu próprio governo, saído há pouco das urnas. Os vários médias internacionais continuam portanto a veícular esta imagem de uma país de grevistas e funcionários "privilegiados", incapazes de enfrentar a realidade do mundo moderno e as suas consequentes e necessárias mudanças.
Segundo um estudo publicado ha alguns dias pelo jornal Libération ("Le mythe d'un pays gréviste"), a França é apenas 11° primeiro em dias não trabalhados por ano por motivo de greve, numa classificação que reúne os 18 países mais industrializados. A França posiciona-se bem atrás da Italia (1°), dos diversos países escandinavos, do Reino-Unido (7°) e mesmo dos EUA (8°)! E no entanto, os principais meios de comunicação continuam a apelidar a França de país do "direito de paralisar" ou de nação da "guerra social".
Acusa-se também os sindicatos franceses, conservadores e imobilistas, de não saberem dialogar e de procurarem o confronto social. Mas, ao privar os sindicatos de qualquer possibilidade de negociação ou dialogo à priori (ou seja antes dos conteúdos das novas reformas serem decididos e votados), o próprio governo de François Fillon dá provas da sua intransigência e autoritarismo, provoca e procura o conflito. Desta forma, e aproveitando a influência dos médias globais, inicia um processo de descredibilisação dos sindicatos e dos seus membros e cria um conflito entre os ditos "privilegiados" da função pública e o resto dos trabalhadores.
Assim sendo, Monsieur Sarkozy consegue fazer esquecer que nesta França arruinada e endividade como bradam os jornais e televisões, o Presidente da Républica tem agora direito a um novo salário (aumento de 172%) e as empresas do CAC 40 ( grupo das 40 empresas melhor cotadas na bolsa) geraram mais uma vez lucros recorde no valor de 88 biliões de euros. Mas não são privilegiados...



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